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azuleazul

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A caixinha

10.08.05 | Kita



Por vezes parece que sinto quase uma necessidade de escrever sobre ti. Porquê: sei, não sei, talvez saiba. Percorre-me tanta vez um misto de incompreensão e evidência. Tudo é incompreensível para mim, mas tudo se torna claro com a luz azul…

No início, disse que ia escrever mais sobre ti, declarei este espaço como sendo meu e teu… e, no entanto, nunca mais te coloquei aqui. Tem sido também teu este espaço porque tens aqui dentro sempre o teu lugar…

No sábado em arrumações, dei-me com a caixinha nas minhas mãos. A caixinha que encerra o nosso percurso, a nossa vida de certa forma. Olhei-a por uns instantes e hesitei sequer tocar-lhe. Fazê-lo seria reavivar memória, trazer recordações que queria e não queria trazer de volta. Mas quando a olhei só estava, no fundo, a preparar-me, a ganhar coragem, pois sabia que iria ser aberta…

Caixinha mágica aberta com todo o cuidado, cada toque, uma lembrança, cada objecto insignificante revestia-se de um significado que só o meu coração conhece… Estiveste ali, em cada pedaço que toquei, recordei-te naquelas lindas palavras que escreveste para mim e que se perderam para sempre para o mundo… só aqui permanecem.

Não estás ali dentro, mas consigo ver-te, sentir-te ali sempre que a olho. Sempre que vasculho no mais profundo de mim, lá estás tu, o meu Deus…

Por mais que quisesse, nunca me poderia desfazer dela. É uma parte de mim, uma parte da minha vida encerrada entre paredes de papelão. No final só me restaram paredes cheias, o vazio e uma lágrima… uma lágrima que não consigo definir, uma lágrima só minha, sentimento só meu. Lágrima calejada pelo tempo que passou e nunca veio. Sentimento sentido, sentimento que perdura eternamente e se desvanece. Sentimento de amor pleno, o sentimento que se escreve na areia e é levado pelas ondas do mar…

O mesmo mar ao qual pedi para me ajudar com o sentimento, ele levou-o, conservou-o e deixou-me viver contigo encerrado aqui. Sei que vais sempre permanecer, a tua lembrança será sempre constante… Ninguém é culpado. A Natureza é assim e sabe o que faz… Penso que não é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo. Eu amo-o na vida real e conservo-te a ti desta forma especial, esta forma que muito poucos conseguem compreender… eu, por vezes, não compreendo este sentir… Guardo-te com carinho, com cumplicidade… e no final, com pena de tudo ter sido tão efémero, de (quase) tudo ter permanecido em palavras…

Kita , 9 Agosto 2005, 23:05

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