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azuleazul

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A destruição do nosso país

29.08.05 | Kita

 

Um mar de chamas, vidas construídas que se despedaçam à vista impotente de lágrimas de sangue de quem nada tem... Ar puro, de todos, ar sem preço que cada vida respira pra continuar o seu caminho, ora cinzento, ora cor de fogo...


A tristeza que se revela na dura e impotente evidência de que é o próprio Homem a causar a sua desgraça... e um porquê bem saliente que dispara dos corações fustigados de suor, lágrimas e tristeza. Um porquê de indignação... o porquê eternamente incompreensível de atear fogos, de semear a destruição da vida, de pintar o mundo de cinzento, de castanho do pó... no final é só pó que resta. O pó das florestas, o pó das pessoas.


Será tudo por simples dinheiro? Que dinheiro paga a vida, que dinheiro paga o verde, o cantar alegre dos pássaros esvoaçando livremente pelo mundo? Que dinheiro paga as vidas humanas de quem tudo arrisca para salvar as nossas árvores e os nossos haveres?


Como a tua jovem vida, primo, que as chamas e o vento traiçoeiro te roubaram no final de Fevereiro deste ano... a tua jovem vida de 24 anos de sorrisos, que toda a gente admirava... andavas sempre alegre, tinhas sempre o teu sorriso pronto para oferecer... Hoje, se ainda pudesses ver este sol, não sorririas... andam a matar as árvores que tu brilhantemente protegias, andam a destruir o teu país. Gostavas tanto de ser bombeiro!


Já não tenho vontade de olhar as serras, as matas, já não tenho coragem de passear pelos vales... quando olho as árvores já não reconheço os espaços. Tudo negro, pó cinzento, ar praticamente irrespirável mesmo depois de tantos dias de fogo extinto... tudo deserto, árvores queimadas que ainda se aguentaram de pé, mas árvores sem alma... quando voltarei a passar por caminhos antigos e voltarei a ver o verde? O verde de esperança de vida, o verde que emana ar puro, que dá vontade de nos perdermos e encher o nosso ser de ar até ao mais profundo de nós!


É por isso que ao ver o cenário que se apresenta aos meus olhos, sinto uma tristeza enorme que chega ao canto mais recondito da minha alma de incompreensão, uma alma que vê o verde dos campos e sonha com o dia em que todos lutem para um planeta de ar puro, onde todos tenham orgulho de viver... e tenham o perdão das árvores, pois, se elas pensassem, estariam concerteza muito tristes com o ser humano.

 

 



Kita , 27 Agosto 2005.

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