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azuleazul

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Tu

24.01.07 | Kita

És como este sol. Uma miragem no fim do meu mar.

 

Não tenho tempo, mas tenho de escrever. Pois só as letras conseguem esvaziar a minha alma e talvez encontrar o sentido de tudo o que sinto. Se é que há realmente um sentido...

 

Pensei que tinhas, definitivamente, abandonado a minha vida, o meu ser, o meu pensamento. Como por vezes o nosso ser, o nosso coração nos pode enganar sem nós sequer o percebermos... Hoje acordei quase assustada. Pelo adiantado da hora e... porque acabava de sonhar contigo. Desejavas-me Feliz Natal e sugerias que nunca mais dissessemos nada um ao outro. Voltei à realidade e quase chorei. Não sei dizer porquê... mas percebi que nunca saiste de dentro de mim, como em algum subconsciente de mim um dia talvez tenha pensado.

 

Senti-te de novo aqui. Senti-te de novo como um dia foste, como algures no tempo fomos os dois. Algum dia chegámos a ser nós? Já nem sei onde guardas os teus sonhos, já não sei o que te faz sonhar, viver... para além das músicas infindáveis dos Radiohead. Essas músicas que sempre me fazem viajar no tempo, dentro da minha alma dolorosa e imensamente, eternamente saudosista.

 

Tudo aconteceu como deveria ter acontecido. Exceptuando que nunca mais quiseste dizer "olá", nunca mais fizeste questão de dizer que ainda vives, ainda que só no teu mundo. Deixá-mos de fazer parte do mundo um do outro, mas tu, consciente ou inconscientemente, continuas e temo que sempre continuarás a fazer parte do meu. Foste o meu mundo em tempos e isso nunca ninguém conseguirá algum dia apagar. São só memórias, mas são as minhas memórias, as minhas recordações gravadas a fogo em pedaços do meu coração.

 

Acho que nunca ninguém entenderá. Talvez tu, se soubesses e comparasses com o que tu um dia sentiste por alguém que também deixou a tua vida sem aviso prévio... Não sei como ficaste tão entranhado na minha memória, tão vincado nesta alma azul de ti.

 

Mas ficaste. E partiste. E continuas na minha memória, no meu interior a lembrar-me que nunca podes ter partido, porque um dia fizeste parte integrante de mim, ao ponto de deixar de ser eu, a tua Kita. Kita. Foste tu que me fizeste existir assim. Esta identidade que hoje me faz existir numa outra perspectiva, num outro lado interior que eu não conhecia. O espelho da minha alma...

 

Atrapalhas todo o sistema que eu construo dentro de mim, cada vez que te fazes notar de novo, ainda que simplesmente sem o teu nome e em sonhos. Mas os sonhos também fazem parte da vida. E, assim, se pertences aos meus sonhos, acabas por ter também de existir na minha vida... ainda que não existas.

 

Li agora o meu primeiro escrito nestas páginas de vida. Sim, como naquela altura, também gosto de ter os pensamentos azuis. Vais, vens, mas continuas sempre a voar dentro de mim...

Kita, 24 de Janeiro de 2007.

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