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azuleazul

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Aos olhos meigos...

06.12.06 | Kita

Não reconheço este rosto. Sou o fantasma de mim mesma que deambula pelos segundos, efémeros segundos da vida… a vida: simplesmente segundos que passam por nós. Não somos nada, num segundo. E cada segundo é mais um pedaço de vida.
 
Enquanto estou aqui, impotente perante a tua lembrança, tu lutas sozinho por mais um segundo. Só sinto dor. E o frio cristalino desta lágrima, e desta, e desta… queria um céu onde pudéssemos voltar a correr juntos, onde eu te pudesse voltar a ver ser feliz. Tens sido feliz?
 
Quase não consigo respirar. É o desespero perante a vida que não me deixa. Queria poder viver por ti, dar-te um pouco da minha ténue existência para que tu não vás embora, para onde não te possa ver nunca mais.
 
Queria poder estar contigo em todos estes segundos, queria poder dar-te força, queria poder dar-te a vida, dar-te um pouco de mim enquanto estás aqui… como é angustiante ser esta impotência morta perante a vida…
 
E parece que eu própria me sinto morrer a cada segundo… como se a minha vida se esvaísse com o sentimento de que vais partir em breve. Será que verei esses teus olhos tão meigos outra vez? Será que me vais sentir de novo junto de ti, acariciando-te? Será… tudo tão incerto e tão cheio de certezas.
 
Os meus olhos estão sem vida. Dor. O cinzento. O azul escuro estilhaçado diante de mim, sem que algo possa fazer. Presa. Mãos atadas pela corda invisível da vida. Esperar. A vida é uma longa sala de espera, os segundos a interminável busca pelo seu sentido: vida, morte.
 
Eu espero. E espero que consigas superar cada segundo. Não pensas, mas sei que sentes. Sente que estou aí, contigo, a aconchegar-te, como da última vez. Olha-me de novo com essa cara meiga, de olhos confusos do inusitado da situação. E tem força, a força que eu te queria dar e não posso.
 
Não sei o dia de amanhã. Mas sei que, haja o que houver, vou estar sempre contigo. Vais ser sempre único. E é nestas alturas que penso se não haverá mesmo um destino, algures, a perseguir-nos…
 
Suspiro.
 
A vida é cruel.
 
Kita, 5 de Dezembro de 2006, 19:22
Escrevi este texto ontem a pensar e a chorar por ti. Hoje os teus segundos acabaram, esfumaram-se com a inutilidade da vida. Foste embora e nunca mais vou ver esses olhos meigos e suplicantes de mim...

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