Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

azuleazul

azuleazul

Reencontro

30.11.06 | Kita

De novo às origens… de novo num espaço de tantas recordações, de inúmeros momentos em que fui tão feliz!... Foi aqui que te conheci e que soube que eras tu aquele que me iria fazer sonhar para sempre, ainda vivendo a realidade.
 
Raramente tenho oportunidade de aqui voltar… e quando venho, cada recanto tem uma história, cada recanto um cheiro diferente, uma saudade inexplicável que não passa. Sempre sonhei um dia poder acabar a minha formação aqui e estou num sítio tão longe. Mas relembro-te. As amizades, os encontros e desencontros de uma vida de adolescente sonhadora, idealista e insatisfeita. Eternamente buscando vida.
 
Não há palavras para os sentimentos que este banco me trás. Só as lembranças de momentos que irão para sempre permanecer na eternidade de uma alma sedenta e suspirante de saudade…
 
Olho-te em silêncio para que cada momento que me trazes penetre bem fundo na minha alma e faça reviver, tão intensamente, as vozes, os cheiros, os silêncios de um tempo em que a vida sorria e chorava, sonhadora…
 
 
Reencontro-me neste sítio… onde o sonho permanece vivo… eternamente uma realidade dentro de mim…
Uma lágrima quase se tornou vida ao pisar este palco, vivo de história, repleto de emoções eternas. Como tu…
Relembro uma timidez já esvanecida pelo tempo e um olhar triste, cinzento, transbordando de amor… Passam lembranças andantes do passado e eu sorrio dentro de mim. Olho este céu acima de mim e recordo a nossa vida, o que fomos e no que nos tornámos. Depois daquele dia…
 
Sou uma alma eternamente saudosista… eternamente sonhadora, eternamente menina azul. Eternamente eu.
Suspiro. Não penso, simplesmente te olho e te absorvo. Penetras na minha alma e entranhas-te na minha pele.
 
E consigo ser de novo um eu, perdido no tempo, sem lugar…
 
Kita, 30 de Novembro de 2006, ESP

Perdida...

15.11.06 | Kita

Há muito tempo que não me liberto. Sinto-me perdida de mim mesma, presa à realidade mundana que não me deixa voar para as minhas paragens...

Sinto a minha alma fria. Sou só sentimentos e emoções que não sei, não conheço, não quero sentir... estou fria, como o tempo lá fora, como este vento que ouço soprar com tanta fúria lá fora, por esta janela perdida...

Anoitece. Fim de tarde. Fim de vida. Mais um dia, menos um sonho. Olho-me ao espelho e vejo o meu interior. A minha alma eternamente sonhadora e perdida, desfasada da realidade e do tempo... sinto a minha alma fria. Como este dia.

Fecho os olhos e olho para dentro de mim. Agora sou a minha realidade, sou o meu sonho e viajo dentro do meu próprio ser. Não sei para onde vou, não sei se quero ir... sonho e apetece-me voar para o meu cantinho de nuvens de algodão. Dentro de mim há um mundo. Só o consigo ver quando fecho os olhos e vejo a minha alma dentro de mim. Esqueço o mundo lá fora, a realidade desapareceu e sou simplesmente eu.

Respiro fundo e fecho os olhos para me conseguir ver... e escrevo, continuo a escrever de olhos fechados, onde só o barulho das teclas me liga à realidade mundana. É aí que consigo voar e sentir a paz que necessito para me sentir eu. Para ser viva. Para ser alma. Para ser o que sou. Preciso do azul do céu, do branco das ondas do mar, do quente da areia da praia, do som e cheiro a maresia...

Sinto-me presa, incurralada, preciso de liberdade para ser. Simplesmente ser.

Desligo-me do mundo. Só assim consigo viver. Só assim consigo voltar a ser eu. E voo dentro de mim... num sonho que me percorre a alma. Num sonho que se entranha em cada pedaço de mim...

Kita, 15 de Novembro de 2006